|
|
|
 |
shows
a gente foi e conta tudo pra você. |
Deep Purple em São Paulo
| quem? |
Deep Purple
|
| onde? |
Tom Brasil - São Paulo -SP
|
| quando
foi? |
29*11*2006
|
A última vez que vi o Deep Purple foi no show que eles fizeram no estádio do Pacaembu, em São Paulo, durante a divulgação do álbum “Bananas” em setembro de 2003. Jon Lord havia acabado de deixar a banda para a entrada de Don Airey nos teclados, numa das poucas vezes que um integrante do Deep Purple saía da banda sem brigas ou ressentimentos. O cara só tava de saco cheio, depois de todos esses anos de estrada, das cansativas turnês que banda fazia e ainda faz pelo mundo afora. O fato é que Don Airey se mostrou um ótimo substituto, mas também é verdade que a essência do grupo perdeu muito com a saída de Jon Lord, um dos fundadores da banda. Da banda atual que tocou neste 29 de novembro de 2006 no Tom Brasil, aqui em São Paulo, da formação clássica, restaram Ian Gillan nos vocais, Roger Glover no baixo e Ian Paice na bateria, mais o novato Don Airey nos teclados e o já quase veterano Steve Morse na guitarra. Bem, com Steve Morse já é outra história. O cara substitui o grande guitarrista e também fundador da banda, Rithie Blackmore, tão bem, que tenho certeza que a maioria dos fãs do Purple acabaram aceitando a saída de Blackmore numa boa. Steve Morse, aliás, é atualmente o grande front man da banda (me desculpem os fãs de Gillan). Isso já há quatro anos atrás no show do Pacaembu e ainda hoje, no show que eles fizeram no Tom Brasil. O guitarrista toca com uma alegria tão contagiante que seus solos de guitarra ficam ainda mais espetaculares. Veja bem, eu não estou dizendo que Steve Morse é melhor, nem pior, que Ritchie Blackmore, mas sim que, no momento, o cara meio que carrega a banda nas costas. Além de Ian Gillan não cantar mais como há 10 anos, Steve Morse está no auge, e sabe como ninguém agitar um público fanático por air guitar. | 
|
Confesso que esta foi a primeira vez que tive a oportunidade de fazer as fotos de um show de uma banda tão grande. Cara, o show do Pacaembu foi foda! Mas eu estava há algumas dezenas de metros do palco, não tem nem como comparar com o Tom Brasil, que se eu não me engano devem caber no máximo umas quatro mil pessoas. Além disso eu ia ter nove minutos para tirar fotos da banda bem em frente ao palco, num local exclusivo reservado à imprensa. Bom, se fosse uma banda qualquer eu tenho certeza que tiraria isso de letra, mas o Deep Purple não é uma banda qualquer, concordam? Me deu um frio na barriga quando me vi em frente aos meus ídolos, e aí o que fiz foi prender a respiração e tirar o máximo de fotos possíveis nesses poucos minutos que foram permitidos pela direção da casa. Steve Morse: seria uma nota errada? | 
|
O repertório do show estava recheado de clássicos, mas é claro que uma banda com quase quarenta anos de estrada tinha muita lenha pra queimar, e aí era inevitável um ou outro grande sucesso ter ficado de fora do set list, ainda mais considerando que Gillan se recusa a cantar os sucessos da época de David Coverdale e Glen Hugles. Pesa ainda o fato de eles estarem divulgando o álbum Rapture Of The Deep, e aí sempre rola umas três ou quatro músicas do novo álbum em detrimento de seus clássicos. A música de abertura foi “Pictures of Home” do disco mais famoso da banda, e um dos maiores da história do rock: Machine Head, seguida pela nova “Things I Never Said”, que acabou ficando de fora do novo álbum, sabe-se lá porque, pois essa música já faz parte do show deles há algum tempo. Daí em diante seguiram clássicos e mais clássicos do rock, numa seqüência de tirar o fôlego de qualquer roqueiro que se preze: “Living Wreck” do álbum In Rock, “Strange King Of Woman” de Fireball, a ótima “Rapture of Deep”, do disco novo e "Fireball" do álbum homônimo. A essa altura do show a banda já estava com o jogo ganho, e olha que eles ainda não haviam tocado seus maiores sucessos, o melhor ainda estava por vir. “Wrong Man, a minha favorita do novo álbum, antecedeu a um dos melhores momentos do show, o solo de guitarra do “cara”. Steve Morse, assim como no show do Pacaembu em 2003, optou por homenagear a algumas das maiores bandas do rock mundial, tocando alguns dos riffs mais famosos do rock. Alternando algumas maluquices com “coisas” como “Day Tripper” dos Beatles, “Voodoo Child” de Jimmi Hendrix, “Whole Lotta Love” do Led Zeppelin e até “Sweet Child O’ Mine” do Guns N Roses. Bom, o ingresso foi caro, mas tenho certeza que se o show acabasse aí, ninguém ia poder reclamar. Com o público conquistado, eles emendaram “Well Dressed Guitar”, a clássica “lazy” também de Machine Head , e a belíssima “When a Blind Man Cries”, com direito a solo de Don Airey nos teclados. Ops!!! Intervalo para uma cerveja bem gelada. Nada contra Don Airey, mas depois de ouvir Steve Morse arrebentar na guitarra, eu tinha que recuperar as energias, pois ainda ia rolar "Perfect Strangers", "Space Truckin’", "Highway Star" e a música mais esperada da noite, que contém um dos riffs de guitarra mais marcantes da história do rock: “Smoke On The Water”. Quantas bandas conseguem emendar um clássico atrás do outro como o Deep Purple fez nesta seqüência? | 
|
Pra quem ainda esperava ouvir “Speed King”, “Child In Time”, "Demon’s Eye", "Woman From Tokyo", "Ted The Mechanic", ou quem sabe até um milagre de rolar “Burn”, acabou se satisfazendo com “Hush”, com destaque para o solo do baterista Ian Paice e “Black Night”, outro grande clássico da época de ouro da banda. Os caras ainda tinham muita bala na agulha, mas Gillan não tem mais garganta pra cantar “Child In Time” e é muito orgulhoso pra cantar “Burn”, música da época de Coverdale/Hughes, que na minha opinião, junto com “Smoke On The Water” é um dos maiores clássicos do rock de todos os tempos. Apesar de não rolar “Burn”, os fãs não tiveram do que reclamar. Foi um show enxuto, com grandes músicos, com ótimos solos individuais, e uma demonstração explícita de amor da banda ao público brasileiro. É isso aí, ano que vem, quem sabe, tem mais Deep Purple no Brasil, já que eles, definitivamente, incluíram nosso país na rota internacional de suas turnês mundiais. 10*12*2006 Ronaldo Branco Ronaldo é rock mesmo
Você concorda com o conteúdo dessa coluna? No direito de resposta você dá sua opinião sobre este texto e lê as outras opiniões!
|
|