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Álbum Branco: 40 anos de paz e amor.
Luciano Neto


Há 40 anos, os beatles lançavam o disco “White Album”. O primeiro a vir ao mundo com o selo da Apple, a gravadora fundada por eles após a morte do empresário Brian Epstein.

O disco não deixa de ser paradoxal: a capa, toda branca, contrastava com todo o clima negro que insistia em predominar sobre eles. Talvez, os Beatles quizessem mostrar ao mundo que o que eles produziam dentro do estúdio era superior aos problemas que enfrentavam fora dele.

O “White Album” é um exemplo perfeito de como ser ousado, corajoso e, claro, extremamente talentoso. Aliás, os Beatles foram incríveis em praticamente tudo o que se proporam a fazer. Não tinham medo de arriscar, de inovar, metiam a cara e pagavam para ver o resultado. E o resultado está aí: discos que se tornaram verdadeiras escolas tanto para o rock, quanto para a música em geral.

Nervoso, introspectivo e individualista. Eis algumas características do álbum branco. A grande maioria o considera como sendo um trabalho solo. De fato, é muito mais a junção de quatro músicos do que uma banda de rock propriamente dita. Cada um canta sozinho as suas próprias composições, não há mais aquela empolgação dos anos anteriores. E é nisso que consiste todo o segredo: o individual superou o conjunto. Realmente brilhante.

Gravado numa fase onde os desentendimentos eram frequentes, é cheio de altos e baixos: Há lindas baladas como é o caso de “Martha My Dear” que Paul compôs para a sua cachorra. Há rock pesado em “Helter Skelter” que, embora haja controvérsias, muitos afirmam ter sido o primeiro heavy metal gravado da história. Há desespero em “Yer Blues”, um grito sufocado de John e um solo arrebatador de guitarra. Há a belíssima “While my Guitar Gently Weeps”, música de George Harrison e uma das mais lindas composta por um beatle, que teve a ilustre participação de Eric Clapton. Há também a faixa “Revolution 9”, gravada por John e Yoko, é complexa, cheia de sons experimentais e, curiosamente, não é bem aceita nem pelos fãs mais “xiitas” da banda. É o resultado mais evidente do que se passava no momento: John era um dos mais entediados do grupo e estava afim de viver sua vida ao lado da mulher que amava.

No próximo dia 22 de Novembro, o branco, como costumo chamá-lo carinhosamente, completará 40 anos de existência e nós, fãs dos Beatles e da boa música, temos muito o que comemorar. E que venham mais 40 anos!

27*9*2008

Luciano Neto
Mendes - RJ

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