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O dia em que beijei o Freddie Mercury
Bete


Esse foi um dia muito especial para mim, e para milhares de fãs do Queen aqui no Brasil.

A banda iria fazer dois shows no estádio do Morumbi. Eu estava super ansiosa, nessa época era muito raro uma banda estrangeira incluir o Brasil nas turnês.

Foi um sufoco comprar os ingressos, filas enormes, mas depois de superados os obstáculos, lá fui eu e mais alguns amigos, toda feliz, para o show. Por acaso do destino, eu não sei de quem foi a idéia (mais tarde eu iria agradecer) acabamos indo de táxi, sei lá o porque, talvez pela difilcudade de estacionar, perigo de assalto etc. <P>

Chegamos cedo, mas o estádio já estava lotado e ficamos bem longe do palco. Confesso que fiquei frustrada, no meu delírio de fã eu queria ficar cara a cara com Freddie Mercury, mas já que era impossível chegar perto me conformei.

Bem, falar desse show é difícil, só quem estava lá sabe a emoção de ouvir um coro de 100 mil pessoas cantando "Love Of My Life"... Eu chorei muito.

Terminado o show fomos atrás de um táxi, mas sumiram todos!! Nós fomos obrigados a voltar de ônibus, pegamos o primeiro que nos levaria até o centro da cidade e acabamos descendo na porta do Hilton Hotel aqui na Av.Ipiranga (S.Paulo).

Como estávamos todos cansados e com fome, resolvemos entrar no bar do hotel que era na época um pub (bar estilo inglês), que eu nem sei se ainda é assim. Entramos, sentamos, fizemos os pedidos, eu me sentei em frente à porta de entrada. Quando olho para porta quem eu vejo???É... Acreditem se quiserem, era Freddie Mercury ao vivo e em cores!!! Logo atrás o restante da banda e mais algumas pessoas que os acompanhavam (depois me falaram que eles estavam hospedados ali no hotel), eles tinham trocado de roupa e descido para comer alguma coisa.

Bom, segundo as testemunhas, eu fiquei roxa, e não pensei em mais nada, eu só queria abraça-lo.Ele foi muito legal comigo, me beijou e começou a conversar comigo, eu queria responder mas não vinham as palavras, eu até já arranhava bem o inglês, mas me deu um branco total, eu só repetia: "Freddie I love you, Freddie, I Love so much".

Ele foi muito simpático, me abraçou e disse que tinha adorado o show aqui, que os fãs brasileiros tinham surpreendido a banda (isso tudo devidamente traduzido por uma amiga que estava mais calma). Foi aí ele tirou um CACHECOL que trazia no pescoço e colocou no meu ombro, e nos despedimos.

Eu nunca mais fui em algum show deles. Freddie Mercury morreu vítima da Aids, o Queen acabou, eu já não sinto esse entusiasmo juvenil por nenhum ídolo, e o cachecol eu guardo comigo até hoje numa caixa, no meu armário... Assim como todas as emoções a gente guarda no coração.

12*4*2005

Bete
São Paulo - SP

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