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A
hora e a vez dos alternativos
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Por
Fagner Branco e Mazaia
Foi
com uma grande organização que se realizou,
nos dias 16 e 17 de março no Estúdio Tiradentes,
em São Paulo, a 1ª edição do festival
independente Rock em Sampa.
Com uma estrutura digna de grandes festivais, o underground
se colocou num patamar jamais visto no Brasil. Foi de certa
forma um registro histórico, um marco para a nova fase
do mercado alternativo.
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dia
16 março
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Carro
Bomba
Grind Day
Infect
Grinders
Calibre 12
Sapo Banjo
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Os
Excluídos
Invasores de Cérebros
Sick Terror
Inocentes
Olho Seco
Cólera
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O primeiro dia,
com uma predominância de bandas punk/rock, ficou marcado pelo
encontro histórico das bandas clássicas Inocentes,
Olho Seco e Cólera, todas com no mínimo 20 anos de
palco. Mas o que se viu no geral foram muitos clichês, acabando
com a postura revolucionária/libertária do punk.
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Destaque
para a banda Os Excluídos, com todos os integrantes
vestidos a caráter anos 60 (incluindo topete). Fizeram
um dos melhores shows das bandas novas. Além de não
seguirem a cartilha "Malcom McLaren" (envolver política
no movimento), era uma das únicas bandas que se entendia
o que o vocalista estava cantando. Sem contar que eles conseguiram
recusar um pedido da platéia de tocar Ramones e saírem
aplaudidos. "Nós adoramos Ramones, sempre ouvimos
Ramones, e com certeza é a banda que sempre iremos
ouvir, mas não somos o Ramones, somos Os Excluídos",
disse o vocalista.
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Os_Excluídos |
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Na maioria das
vezes, as bandas que seguiam as idéias de titio Malcom se
perdiam em ideologias e acabavam com um discurso inútil e
infantil, como o da banda Infect. "Se as pessoas vierem nos
dois dias do festival comprando ingresso na porta gastarão
R$30,00, é muito caro, está fora da nossa realidade",
disse uma das garotas da banda.
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Ariel, do Invasores de Cérebros, promove uma chuva
de cerveja
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Logo que
acabou o show a produção respondeu: "o
ingresso antecipado estava R$10,00, o que é muito barato
para um festival com essa estrutura. A gente poderia cobrar
menos, mas teríamos apenas uma luz no palco, e duas
caixas de som. Se vocês continuarem pensando assim,
o movimento nunca vai crescer".
Quando
começa a velha guarda do punk paulistano, Invasores
de Cérebros sobem ao palco e mantém-se firmes
às ideologias anarquistas (Malcom de novo?). Como se
tratava de velhos punks o público nem percebeu o discurso
padrão e mau feito por Ariel, vocalista da banda. Depois
veio ainda Sick Terror, perdido, e com um vocal horrível
(grind). Mas o vocalista explica, "como vocês podem
perceber somos uma banda com nenhuma intenção
profissional", afirmou Nenê que também é
vocalista da banda Dance of Days.
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Inocentes |
Para fechar
restaram as três bandas mais conhecidas do movimento punk.
E apesar de toda aquela lenda dos Inocentes serem traidores,
eles fizeram o público cantar o que pareciam ser verdadeiros
hinos suburbanos. Olho Seco, mais respeitado pelos punks radicais,
fez um grande show e muito discurso (alguns sem sentido), mas a
maioria só queria mesmo era cantar o refrão "seco,
seco, seco, isto é olho seco". E o Cólera fez
a multidão que o esperava o dia inteiro pular, cantar, se
bater e o que mais se pode imaginar. Infelizmente muitas pessoas
foram ao show de transporte coletivo e o local foi esvaziando mesmo
antes de acabar a apresentação.

Mazaia
encontrou na platéia
alguém que, como ele, adora Menudo! |
dia
17 de março
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Mellowthink
Contraponto
Hats
Feijão com Arroz
Deserdados
Gritando H.C.
Hateen
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Paúra
Garage Fuzz
Zumbis do Espaço
Street Bulldogs
Dance of Days
Ratos de Porão
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Foi o
dia mais lotado, mesmo num domingo chuvoso milhares de pessoas
se reuniram para reverenciar o bom e velho hardcore paulistano.
Com o público mais desencanado podia-se ver pessoas
com camisetas da Legião Urbana e acredite, até...Menudo!
Foi uma verdadeira festa alternativa.
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Gritando
H.C. |
As bandas
demonstraram grande energia, principalmente o pessoal do Gritando
H.C., que deveria ser escalada para o final, pois foi
um dos shows que o público mais cantou e vibrou, sem
falar do número de pessoas que circulavam com a camisa
do Gritando.
O interessante
era o número de bandas que cantavam em inglês,
e faziam um som parecido, principalmente as novas. Das bandas
mais desconhecidas a que mais chamou a atenção
foi o Paúra. Com uma forte influência do Metal
eles fizeram um som empolgante e diferente. Quase ninguém
cantou as músicas mas todos curtiram.
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Aliás,
o apoio a bandas novas é que fez do Rock em Sampa um grande
festival, e mesmo com quase nenhuma banda que tocou em alguma rádio
ou apareceu na TV o público todo curtia. Como disse o vocalista
do Paúra, "é legal ver esse monte de gente num
festival que não conta com nenhuma banda gringa", discursa.
Com uma postura
muito influenciada por Misfits os Zumbis do Espaço
empolgaram, fizeram todos cantar e armaram a maior roda do festival.
É certo que esse show vai entrar pra história.
João
Gordo?
Não, esses são os
Zumbis do Espaço |
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Agora se avaliássemos
os shows pela movimentação no palco, o Dance of Days
teria feito o melhor show de todos os tempos, tamanha era a empolgação
do grupo. Para uma banda que não tem muito tempo de estrada
eles fizeram uma apresentação que deixou todo mundo
agitado.
Antes do Ratos
de Porão começar a tocar o guitarrista Jão
apresentou a banda de forma clássica. "20 anos de história,
traição de movimento, com vocês...Ratos de Porão".
A partir daí foi uma pancada atrás da outra, só
"relaxando" com a singela música à turma,
e provando que apesar da "traição" a banda
ainda é respeitada.
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Zumbis
do Espaço?
Não!! O Ratos de Porão encerrou o festival com
"muito respeito"
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mercado alternativo
No local havia
um espaço reservado para vendas e distribuição
de fanzines, CDs, camisetas, adesivos, revistas, e muitas outras
coisas mais. O interessante é que esse mercado alternativo
funcionou. Podia-se ver muitas pessoas comprando e saindo com sacolas
cheias.
O sucesso dessa
"feira-rock" se deu ao preço que os objetos eram
vendidos. Bem longe da realidade das grandes gravadoras os CDs podiam
ser adquiridos por apenas R$10,00, e era possível conseguir
mais barato ainda, sem contar com os brindes que eram distribuídos.
Alguns destaques
do mercado alternativo:
HardMag
- Revista de hardcore que mesmo com uma postura totalmente underground
tem umas das melhores edições de revistas musicais
brasileiras. www.hardmag.com.br
Movimento
Humanista - Essa ONG voltada para a abrangente ideologia política,
social e cultural realiza vários projetos, entre eles cursos
gratuitos de teatro e música, saraus etc. www.movimentohumanista.cjb.net
Quem perdeu
a primeira edição do Rock em Sampa deve se arrepender
de todas as formas, pois perdeu um festival histórico e que
pode mudar o rumo do underground nacional.
Agora é
esperar o festival de inverno, e como prometeu a produção,
"queremos fazer um festival a cada 6 meses, e esperamos que
no próximo tenhamos bandas estrangeiras entre nós".
Que assim seja.
Reportagem:
Fagner Branco
Fotos: Mazaia
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