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especiais
Entrevista - Sérgio Britto
Eu quero ver o lado bom que tudo tem.
  Em mais uma entrevista exclusiva Roquenrou, Sérgio Britto falou com a gente por telefone, com uma voz tranquila e amistosa, sobre a democracia titânica, as biografias lançadas sobre os Titãs e sobre o rock nacional, a saída de Nando Reis, seu disco solo e pirataria.  

Roquenrou - A gente quer começar pelos livros que foram lançados recentemente, falando sobre parte de sua história: Dias de Luta, que fala sobre o rock dos anos 80 e a biografia dos Titãs, A Vida Até Parece Uma Festa. Como é ter a sua história escrita?

Sérgio Britto - Eu acho que é legal, porque é legal ter um registro, né? É um hábito que aqui não é muito fomentado. Você vê, qualquer banda que tem três anos de carreira fora do Brasil tem um livro. As pessoas aqui costumam ler pouco, e tal. Mas acho que é um tipo de registro interessante. A palavra escrita ainda é um grande registro. Na verdade o livro que conta a nossa história, o A Vida Até Parece Uma Festa, não foi uma iniciativa nossa, foi a iniciativa de dois jornalistas cariocas, a Érica e o Alzer, que resolveram fazer e procuraram a gente. Eles que ficaram a fim de fazer isso. Foi mais legal ainda, porque eu acho que não foi uma coisa assim, que a gente tenha conduzido pra um lado. Foi uma coisa que eles fizeram e que a gente só colaborou pra que a coisa ficasse legal.

Roquenrou - É, assim acaba ficando mais sincero, do que se partisse da banda...

Sérgio Britto - É, eu acho também, porque é o ponto de vista deles. Eles fazem um apanhado de todas as informações que colheram e colocaram ali a visão deles da nossa história, o que foi muito legal. Já existia uma biografia nossa feita há um bom tempo atrás, pelo Felipe Trotta, chama Caminhos Titãnicos, acho que não teve muita projeção, mas foi uma biografia feita assim, que a gente não colaborou diretamente. A gente não deu entrevista, acho que ele fez meio por conta própria.

Roquenrou - Essa foi mais com a participação de vocês...

Sérgio Britto - Essa foi mais... A gente deu horas de depoimento sobre coisas que tinham acontecido, corrigimos coisas que não eram exatamente como eles estavam escrevendo, enfim, a gente colaborou o máximo possível.

Roquenrou - E no livro Dias de Luta, como é que foi a participação?

Sérgio Britto - No Dias de Luta eu lembro... Sabe que esse livro demorou muito a sair, né? Então a gente na verdade tinha feito algumas entrevistas na época do Domingo, ainda, ou seja, já faz muito tempo.

Roquenrou - É, porque ele conta no prefácio que foi com vocês a primeira entrevista do livro...

Sérgio Britto - É, então foi na época do Banguela, do Domingo, que a gente falou com ele e depois a gente perdeu... quer dizer, a gente nem sabia que isso ia virar um livro. Acho que talvez na época nem fosse pra ser um livro. Não lembro. Então a gente perdeu um pouco da sequência. Não sei te dizer. Mas então, de qualquer maneira, eu também acho legal. É uma visão bem particular dele, uma análise dele, daquela época, e é uma leitura dele, daquilo ali, que eu não necessariamente concordo.

Roquenrou - Você chegou a ler?

Sérgio Britto - Eu li por alto e vi alguns artigos. Na verdade eu não li o livro inteiro, de cabo a rabo. Vi as partes que fala da gente e cheguei a ver alguma coisa nos jornais.

Roquenrou - Mas teve alguma coisa que você não concordou, especificamente?

Sérgio Britto - Não, se eu não me engano, eles têm uma tese, algumas pessoas têm um tipo de tese assim: o rock dos anos 80 era muito imitação do que se fazia fora do Brasil, e que a partir dos anos 90 passou-se a fazer um rock, uma música pop brasileira com uma marca mais brasileira, coisa que eu não concordo, de maneira nenhuma. Não acho que isso seja verdade.

Roquenrou - Mas você acha que não é verdade em relação à cena toda ou em relação a vocês?

Sérgio Britto - Não, acho que... Em relação a, por exemplo, a gente, aos Paralamas, mesmo a Legião Urbana. Eu acho que você pode falar assim, levianamente, que a Legião Urbana imitava, ou tinha muito a ver, a aura, com Smiths, com U2 e tal, mas se você for analisar com mais carinho, eu digo assim, com mais detalhes, você vai ver que não é bem assim, que musicalmente é outro registro, que as letras tratam também de outro universo, outra coisa, que o tipo de interpretação que o Renato tinha era totalmente diferente desses dois cantores, e por aí vai. Então eu acho que você se debruça em cima do trabalho com uma vontade de ver com bons olhos eu acho que você chega a conclusões diferentes. Eu acho que, talvez, me esqueci, como chama o cara que escreveu o livro?

Roquenrou - Ricardo Alexandre

Sérgio Britto - É, o Ricardo Alexandre, talvez por ele ser de outra geração ele olhe pra geração dele com mais benevolência, entendeu? É o que eu acho, porque eu acho também que nos anos 90 o mesmo tipo de argumentação pode ser feito. Acho que tem coisas legais, mas tem coisas também que você fala: pô, o Skank, será que é tão brasileiro assim? Fazer reggae daquele tipo, que é uma coisa que também tava super em voga no mundo, lá fora... E por aí vai... Não tô querendo ir contra também o que foi os anos 90, muito pelo contrário. Eu só tô falando que o tipo de visão, de ligação afetiva que você tem com a música de uma época ou de outra acaba resultando num tipo de análise diferente. Então eu não concordo muito com isso, não.

Roquenrou - A gente aqui leu esse livro, e achamos muito legal por ter muitas histórias que a gente, que tava do lado de fora, não sabia. Por exemplo, a parte que fala do Chacrinha, nos shows que as bandas tinham que fazer pra ele em troca da aparição no programa.

Sérgio Britto - É. Isso é institucional, assim...

Roquenrou - É, é uma coisa que eu não tinha nem idéia que acontecia. Uma coisa que eu achei interessante, que fala no livro e pouca gente pára pra pensar, é sobre o ecletismo da banda. Tem fã que depois do Titanomaquia ficou revoltado, achando que a banda se vendeu, mas se a gente for parar pra pensar desde o começo, a gente vê que os Titãs sempre fizeram discos muito diferentes um do outro, não se prenderam a um estilo musical. Como vocês decidem esse caminho?

Sérgio Britto - Cê sabe que não é forçado. Não foi forçado isso.

Roquenrou - O que eu quero dizer é o seguinte: vocês páram pra decidir: "Vamos fazer mais rock", "Vamos fazer mais pop..."?

Sérgio Britto - Não. Não, nunca a gente fez isso. Acho que a gente vai fazendo e vai sentindo a necessidade enquanto está construindo as coisas, quando tá compondo e tá levantando o repertório de fazer as coisas. Agora, eu acho que tem uma coisa na nossa formação de cada um de nós até mais do que... em grupo claro, né? Porque você fala assim: tem tantos caras diferentes, então um gosta daquilo, outro gosta daquilo, então o resultado... Só que não é só isso. Se você pegar um cara como o Branco, por exemplo, que aparentemente é o cara que gosta mais de punk rock, ele também gosta muito de música popular brasileira e já ouviu muita música popular brasileira e conhece Noel Rosa, conhece... Então eu acho que esse nosso ecletismo tem a ver com cada um de nós, é quase que um traço... é... não vou falar ideológico porque não é bem a palavra, mas... uma característica muito forte da gente como pessoa, como indivíduos mesmo. Então quando juntou isso virou uma marca da banda. Acho que antigamente, até os anos 60, vamos falar assim, isso era uma coisa mais comum. O maior exemplo de banda eclética são os Beatles, né?

Roquenrou - É, com certeza.

Sérgio Britto - É que eu acho que é o conto de fadas... É difícil comparar a eles porque é o conto de fadas da música pop. Fizeram tudo perfeito. Acabaram na época perfeita, tudo é perfeito neles. Mas cada disco é uma coisa. E se você for analisar às vezes num disco só a quantidade de informação musical que tem, de variedade que tem...

Roquenrou - O Álbum Branco, por exemplo...

Sérgio Britto - ...pra época, então, muito mais, né? Era um absurdo, assim. Eu acho que a gente faz parte dessa linhagem. Assim como tem bandas como Ramones, que fez uma coisa a vida inteira, tem outras como os Beatles, mudando a cada disco. A gente faz parte desse tipo de banda que tem esse tipo de inquietação. Acho que assim como - mal comparando também - mas cê pega um cara como o João Gilberto, é um cara que cristalizou uma coisa e todos os discos têm aquele mesmo tipo de sonoridade, coisa que ele descobriu. Por outro lado os artistas chamados tropicalistas também têm uma vontade em cada disco de fazer uma coisa diferente, experimento com uma coisa, experimento com outra. São duas vertentes meio diferentes. A gente faz parte dessa vertente que tá sempre mudando de lugar, assim. Apesar de eu achar que tem uma unidade no que a gente faz.

Roquenrou - Teve algum momento da carreira que o caminho da banda foi meio a contragosto seu?

Sérgio Britto - Algum disco nosso? Que a gente tenha feito?

Roquenrou - É. Ou algum momento da carreira.

Sérgio Britto - Não, no início da carreira não teve muito, não. Eu, na verdade, o disco que eu tava menos a fim de fazer acho que eram As Dez Mais. É um disco que eu não tava muito a fim de fazer. Pessoalmente assim, acho que não era um disco que eu tava muito a fim de fazer. Eu acho que isso... Parece que eu tô fazendo média, porque foi um disco mal recebido pela crítica e até parte de nossos fãs não gostam, mas às vezes acho que cê faz coisas sem querer fazer e ficam muito boas. Nesse caso acho que, também, além do mais, não ficou muito bom. Mas eu acho que é o único caso que isso aconteceu. Eu acho que a gente nunca fez nada a contragosto. E dessa vez eu tô falando por mim, porque na verdade os outros todos queriam fazer. Na verdade a gente nunca foi obrigado a fazer nada, e se a gente fez alguma coisa errada foi por culpa nossa.

Roquenrou - Como é que funciona a democracia Titãnica?

Sérgio Britto - É... Peraí pra eu ver se lembro uma frase que a gente tem, que é... "A maioria decide, mas a minoria tem poder de veto", entendeu? É um pouco isso. A gente decide as coisas por maioria, mas se pra minoria aquilo for tão incômodo que não dá, a gente leva isso em consideração também. É um pouco assim que a gente decide as coisas. Então a gente em geral faz o que todo mundo tá a fim, mas se alguém tá extremamente incomodado com alguma coisa ou não concorda com alguma coisa isso abre um precedente e a gente analisa de novo as coisas. A gente já deixou de fazer coisas porque uma pessoa falou: "Não faço isso, não me identifico, não dá pra mim", a gente leva em consideração, apesar da maioria achar que deveria fazer.

Roquenrou - Que interessante! Isso foi feito de maneira natural?

Sérgio Britto - É. Isso são anos de convívio.

Roquenrou - É, mas os primeiros anos de convívio são os mais difíceis, não são?

Sérgio Britto - Olha, não tem isso, não. Acho que todo ano é...

Roquenrou - Mas é que nos primeiros anos ainda não se estabeleceu um código pras pessoas lidarem entre si...

Sérgio Britto - Mas a gente já era amigo antes. A gente antes de ter a banda já se conhecia, tava cheio de código antes de ter a banda, entendeu? Então eu não acho que tenha sido esse o nosso problema. E eu acho que quando você começa a trabalhar, e entra essa vaidade artística, tudo muda também, entendeu? Você passa a conhecer outros lados que você não conhece da personalidade da pessoa, cê tem uma disputa direta, cê põe os podres pra fora... É uma coisa que muda a relação. É um tipo de relação que tem uma intimidade muito radical. Então muda, muda legal. Eu acho que a gente sempre teve... os mesmos problemas que a gente tem hoje em dia são os que a gente tinha naquela época. A gente tem bons momentos e maus momentos. Eu acho que até por acaso, apesar de todos os problemas que a gente vem tendo desde a morte do Marcelo, que obviamente foi o maior deles - nem "problema " eu chamaria, sei lá... coisa trágica, mesmo - de lá pra cá a gente passou por um período de muita mudança, de muita instabilidade mas acho que agora a gente chegou num momento que a gente tá se sentindo seguro e forte de novo, e com um tipo de relação legal entre nós.

Roquenrou - Um baque desses sempre acaba desestruturando, né?

Sérgio Britto - É. Acho que pra gente serviu pra unir mais, assim. Eu acho até que a saída do Nando também acabou deixando clara uma situação e quem ficou ficou muito a fim da história, entendeu?

linhagem
"Assim como tem bandas como Ramones, que fez uma coisa a vida inteira, tem outras como os Beatles, mudando a cada disco. A gente faz parte desse tipo de banda que tem esse tipo de inquietação"

as dez mais
"Parece que eu tô fazendo média, porque foi um disco mal recebido pela crítica e até parte de nossos fãs não gostam, mas às vezes acho que cê faz coisas sem querer fazer e ficam muito boas. Nesse caso acho que, também, além do mais, não ficou muito bom"

democracia titânica
"A maioria decide, mas a minoria tem poder de veto". A gente decide as coisas por maioria, mas se pra minoria aquilo for tão incômodo que não dá, a gente leva isso em consideração também. "

seguros e fortes
"apesar de todos os problemas que a gente vem tendo desde a morte do Marcelo, chegou num momento que a gente tá se sentindo seguro e forte de novo, e com um tipo de relação legal entre nós.”

nando reis
“Eu acho que ele poderia até ter feito as músicas dele sozinho e não estar deslocado. Uma coisa eu acho que não é diretamente... Mas é um indicativo. Eu acho que é verdade. Eu acho que ele não tava com a cabeça mais na banda há um bom tempo”

crítica
“A gente sempre se preocupa em rebater coisas que a gente não concorda, em chamar atenção pra uma coisa, pra outra. Mostrar também que as pessoas que fazem a análise do teu trabalho não são tão sérias assim quanto parecem”

guerra
“Às vezes acontece um drama muito maior na esquina da tua casa e você não tá mexendo um dedo e tá fazendo abaixo assinado na internet pra acabar com a guerra. ”

 

Eu gosto de compor e componho bastante. Eu quero descobrir um outro caminho, uma outra sonoridade, uma coisa que eu possa fazer sozinho, que não dependa da banda.
Eu acho que eu tenho fôlego pra isso


Roquenrou - O que vocês estão planejando agora? Em que pé está a carreira de vocês?

Sérgio Britto - A gente vai fazer um disco agora, a gente vai gravar em Junho, pela BMG. A gente já fez uma demo com 12 músicas e já ensaiou praticamente 2 meses, que a gente tinha pensado em entrar em março, aí aconteceu essa história da venda da Abril Music e a gente acabou tendo que adiar, o que talvez tenha sido até bom, porque a gente vai compor um pouco mais, vai fazer outras coisas, talvez a gente faça o disco com mais músicas, mais que 12. Mas a gente, enfim, analisou, levantou mais material, trabalhou mais. Acho que sempre é bom, sempre resulta numa coisa melhor.

Roquenrou - Vamos falar um pouco sobre o seu CD "A Minha Cara". A letra da "Igual a Todo Mundo" diz que você quer falar sobre o que há de bom em tudo. Você acha que falta isso pras pessoas? Falar bem das coisas?

Sérgio Britto - É. Você sabe o que é? Isso é assim, o Paul McCartney que diz isso: obviamente quando você quer falar das coisas do ponto de vista positivo é muito fácil você ser taxado de piegas, mesmo... talvez seja fácil você cair nessa armadilha, né? Do que falar sobre coisas sombrias, escuras, e falar sobre o mal-estar e a angústia, a depressão... Acho que isso parece que já vem com um aval. Isso historicamente é assim, sempre foi assim. Mas eu tenho feito um esforço pra falar dessas coisas também, sabe? Procurando fugir dessa história de não cair numa coisa que seja piegas, mas eu acho que é um esforço interessante de fazer, porque eu acho que tem pouco disso. Eu acho que tem muito pouco disso. Especialmente nessa produção do rock-pop nacional tem muito pouco disso, fala-se pouco das coisas nesse aspecto mais de vontade de mudar as coisas, de olhar... isso que a música diz ali. Olhar pro aspecto positivo que as coisas que mesmo a coisa mais negativa possa ter. Eu acho isso uma coisa interessante de dizer. O Brian Wilson também que dizia isso, que achava que a função mais genial que as músicas dele podiam ter era servir de consolo pra quem quer que ouvisse. Eu acho isso uma idéia interessante.

Roquenrou - Não sei se eu tô viajando, mas acho que o arranjo da "Cama Mesa e Banho" tem a ver com Beatles...

Sérgio Britto - É, acho que talvez um pouco, assim. Ele é bem simples, né? Mas eu acho que... talvez o fato de ter um piano, uma guitarra com um timbre...

Roquenrou - Com relação à marcação da música, também...

Sérgio Britto - Ah, esse tipo de levada. É, pode ser...

Roquenrou - Na verdade eu gostaria de saber com relação à isso é se Beatles é realmente uma influência no seu som...

Sérgio Britto - Ah, eu acho que mesmo em quem não sabe. Mesmo quem não sabe foi e é influenciado por Beatles. Mas no mundo inteiro, cê pega a tropicália inteira, os Mutantes... Tudo, tudo que se faz em música pop, qualquer música que faz sucesso no rádio deve muito ao que os Beatles fizeram. Aquilo foi um encontro único de caras muito talentosos e com um cara que além do mais - o George Martin - acho que aquilo que era um produtor que era quase que um outro membro da banda também. Eu acho que é uma daquelas coisas que nunca mais vai acontecer na história da música pop, entendeu? Uma coisa com aquele padrão de qualidade...

Roquenrou - Como foram as duas parcerias que você fez com o Marcelo Fromer?

Sérgio Britto - São Músicas que a gente fez... Eu compunha bastante com o Marcelo... E são umas das músicas que a gente fez. Uma é essa daí, né? Que você tava falando... E a outra é "A Minha Cara". "A Minha Cara" eu lembro que a gente fez num hotel, a gente tava numa turnê no sul e... Como que era a história? E o Marcelo viu um cara que, um cara... um mendigo, um cara desses... só que o cara tocava folha. Sabe esses caras que tocam folha?

Roquenrou - Como "folha"?

Sérgio Britto - Folha de árvore. Tocava, tirava um som com uma folha. E aí ele tinha uma placa escrito... Que que tava escrito na placa? Cara, agora eu esqueci. É... Não lembro direito agora o que que era, mas ele chegou me contando esse papo, do cara que era artista de rua e falou assim: "Por que que a gente não faz uma música falando dessa coisa, do cara que é artista de rua, do cara que é ali mendigo mas que tá fazendo alguma coisa. Enfim, a gente começou a bolar, a partir daí a gente fez uma letra, a gente fez no hotel.

Roquenrou - A própria idéia surgiu com os dois juntos, então?

Sérgio Britto - A idéia foi.

Roquenrou - Porque pode acontecer de você fazer a letra, aí pedir pra ele musicar...

Sérgio Britto - Ah, não... essa idéia... Na verdade ele me falou isso e eu acabei escrevendo a letra, aí a gente fez a música junto. Foi mais ou menos assim.

Roquenrou - É verdade que as parcerias com o Arnaldo Antunes que têm no disco foram feitas quando vocês tinham em torno de 18 anos?

Sérgio Britto - É, "Os Olhos do Sol" foi.

Roquenrou - E "Pensamento #2" também?

Sérgio Britto - "Pensamento" foi um pouco depois, mas "Os Olhos do Sol" eu lembro que foi isso mesmo. "Pensamento #2" não, foi um pouco depois, mas também... Não sei se foi antes dos Titãs ou se o Titãs já tinha. Acho que foi antes dos Titãs. Não, acho que já tinha Titãs nesse "Pensamento #2".

Roquenrou - Que legal! E tem muita coisa antiga nesse CD?

Sérgio Britto - Não, só essas duas são antigas. São essas as duas que são bem antigas.

Roquenrou - Agora que você tem uma certa distância do lançamento do álbum, como você acha que ele se encaixou na sua carreira?

Sérgio Britto - Eu acho que foi legal ter feito.

Roquenrou - Foi uma forma de exteriorizar suas composições não gravadas?

Sérgio Britto - Também. Eu acho que é uma vontade de abrir um outro caminho, também. Porque eu sou um cara muito produtivo. Eu gosto de compor e componho bastante e quero abrir também uma outra... eu quero descobrir um outro caminho, uma outra sonoridade, uma coisa que eu possa fazer sozinho, que não dependa da banda. Eu acho que eu tenho fôlego pra isso. Então eu acho que esse disco foi uma primeira tentativa que tá cheia de imperfeições, tá longe de ser exatamente o que eu queria, mas que abriu essa porta pra mim, que eu pretendo trilhar esse caminho paralelamente aos Titãs.

Roquenrou - Você já ficou chateado de alguma dessas músicas não ter sido incluída em algum disco dos Titãs?

Sérgio Britto - Não, não. Não, mesmo. Eu não posso reclamar muito porque eu acho que - se é que pode-se dizer isso - eu sou muito bem gravado pelos Titãs. Não é exatamente a maneira de dizer, mas eu sempre tenho muitas músicas nos discos dos Titãs, nunca fiquei insatisfeito por não ter alguma música minha num disco. Não tenho carência disso, não.

Roquenrou - Uma coisa que a gente reparou no "A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana" é que tem parcerias entre todos os integrantes nas músicas, a não ser o Nando Reis, que só aparece compondo sozinho do disco. Você acha que ele já tava deslocado desde aí? Pelo menos é o que parece à primeira vista, pelo menos...

Sérgio Britto - Não, não. Eu acho que é o que é, mesmo. Eu acho que ele poderia até ter feito as músicas dele sozinho e não estar deslocado. Uma coisa eu acho que não é diretamente... Mas é um indicativo. Eu acho que é verdade. Eu acho que ele não tava com a cabeça mais na banda há um bom tempo, pra falar a verdade. Acho que ele tava, assim... ele não tava achando que dava pra conciliar, entendeu? Tava querendo se dedicar completamente a outra coisa.

Roquenrou - Você se surpreendeu com a saída dele?

Sérgio Britto - . É... Não. Já tava esperando, acho. Já tava imaginando algo assim.

Roquenrou - E sobre as carreiras paralelas - não só em relação à música, mas também como livro, produção de disco - o que você acha que elas trazem pra banda?

Sérgio Britto - Olha, eu não sei se traz nada assim pra banda, especificamente. Acho que traz pra cada um de nós. Acho que é uma coisa própria de quem já passou dos 40 (acho que quase todos já passaram dos 40), de você querer também vencer um pouco de tua individualidade. Não que você não tenha barato de fazer aquilo em grupo, mas uma vontade de fazer uma coisa que seja especificamente tua. Então nesse sentido acho que quando a gente volta a trabalhar com a banda a gente volta com vontade de trabalhar com aqueles caras de novo não por obrigação, mas porque aquilo dá uma liga especial, porque aquilo dá barato, porque cê gosta dos caras, cê acha que eles podem contribuir com o que você faz e vice-versa, e não por obrigação. Então eu acho que o que traz de bom pra banda é isso, basicamente isso. Acho que essa liberdade que a gente tem pra fazer outras coisas ajuda nisso.

Roquenrou - Até porque isso permite com que vocês façam de vez em quando algumas pausas, né? Como aconteceu antes do Domingo...

Sérgio Britto - Como aconteceu antes do Domingo.

Roquenrou - Teve até muita especulação na época de que a banda iria acabar...

Sérgio Britto - É. Sempre vai ter. Acho que a coisa de você poder ter uma banda assim há muito tempo já, você tem um pouco que tentar evitar com que a relação fique burocrática, e essa é uma boa maneira de fazer isso.

Roquenrou - A gente tava relendo algumas entrevistas antigas e deu pra perceber que vocês se importavam muito com a opinião da crítica.

Sérgio Britto - É. É verdade.

Roquenrou - Vocês ainda se preocupam?

Sérgio Britto - Acho que a gente se preocupa, a gente lê... Sabe o que é? Acho que tem artista que fala assim: "Não, não ligo pro que dizem..." Não que eu leve em especial consideração o que dizem sobre a gente na imprensa ou qualquer outro meio, mas aquilo, bem ou mal, são pessoas emitindo juízo sobre o que a gente faz, e a gente tem um puta trabalho pra fazer o que faz, gostem ou não. Então o mínimo que a gente quer é que nossa opinião sobre o que a gente faz também seja levada em consideração. A gente sempre se preocupa em rebater coisas que a gente não concorda, em chamar atenção pra uma coisa, pra outra. Mostrar também que as pessoas que fazem a análise do teu trabalho não são tão sérias assim quanto parecem, e por aí vai. Eu acho que é um exercício... a gente não tem problema de fazer isso. E também não tem problema em reencontrar as pessoas com das quais a gente discorda. As coisas mudam, vão mudando. O cara pode não gostar desse disco, pode gostar do outro, pode ter feito uma crítica leviana e pode depois se corrigir... Enfim, ou o cara pode não gostar mesmo de você e isso não significa que você não possa trocar uma idéia. Então a gente tem um pouco esse princípio, assim. Agora se você for pensar no que a gente faz eu acho até que dá pra dizer o contrário, a gente nunca se importou com que a crítica fala da gente, isso nunca refletiu no nosso trabalho. Dificilmente isso aconteceu. Dificilmente a gente ficou intimidado com esse tipo de coisa.

Roquenrou - Vocês têm alguma bronca em relação a algum crítico ou revista?

Sérgio Britto - Não, sabe? Às vezes eu tenho um pouco de bronca de cara... tem uns caras que falam assim, que são aqueles caras que parecem que não são brasileiros, sabe? Que ficam falando assim, que parece que toda produção cultural que fazem aqui é uma merda e qualquer coisa que se faz fora do Brasil é maravilhosa, por definição. Esse tipo de postura me desagrada, independentemente de quem seja, que tenha essa postura, eu não gosto. Acho que isso é um tipo de crítico medíocre. O cara não se dá o trabalho de querer entender o país onde ele mora, acho isso uma coisa muito cômoda.

Roquenrou - Quando a gente projetou o Roquenrou, a gente decidiu que os textos seriam em primeira pessoa como uma forma de dizer que essa é a nossa opinião. Acho que o que acontece muito com crítico é que o cara acaba falando como se aquilo fosse uma verdade universal.

Sérgio Britto - É, e você não pode esquecer que o cara que publica na Folha de São Paulo, por exemplo, tem por trás de si o aval de uma grande empresa, né? Embora o cara se coloque ali como jornalista super independente na verdade ele tem por trás uma mega empresa com... Enfim! Não vou nem falar...

 
Eu não sou exatamente o cara que
se liga muito no instrumentista.
Eu acho legal a adequação
dessa parte instrumental
com a composição.

Roquenrou - Como vai ser a produção do próximo álbum?

Sérgio Britto - Quem vai ser o produtor?

Roquenrou - É.

Sérgio Britto - Vai ser o Liminha de novo. A gente vai voltar a trabalhar com ele.

Roquenrou - A gente tava achando que ia ser o Jack Endino...

Sérgio Britto - A gente pensou que fosse, mas tava complicado porque a gente até tentou fazer um contato com ele e... Essa história toda, né? De dólar, de Estados Unidos, o diabo a quatro. Deu uma complicada. E também porque a nossa agenda ficou muito no ar, não dava pra gente... E a gente também voltou a encontrar o Liminha e a gente conversou com ele bastante, acho que ele sacou legal o espírito do disco que a gente quer fazer.

Roquenrou - Qual a sua opinião sobre a guerra no Iraque?

Sérgio Britto - Sei lá, né? A princípio eu acho que a gente quando vê essas coisas assim de longe, embora também nos afetem, é fácil você se desvincular da relação do custo que isso tem humano mesmo, né? Então a princípio, obviamente, eu sou contra qualquer guerra, por princípio, acho. Mas acho também que a gente vive uma situação tão drámatica aqui no Brasil e fala muito menos disso do que fala dessa guerra aí que às vezes acho engraçado. Acho que vale muito mais a pena você despender energia pra pra resolver o problema da tua esquina do que do Oriente Médio. Às vezes acontece um drama muito maior na esquina da tua casa e você não tá mexendo um dedo e tá fazendo abaixo assinado na internet pra acabar com a guerra. Enfim, você não tem a mínima chance de interferir naquilo, ao passo que no teu dia-dia, nas coisas e nas pessoas com as quais você lida você tem muito mais chance de fazer aquilo...

Roquenrou - Mas você não acha que tem uma parcela de culpa a imprensa nesse caso?

Sérgio Britto - Eu não sei. Resumindo eu diria que essa coisa da guerra - obviamente - acho que ninguém ousaria discordar disso. É uma coisa terrível, é um grande mal. Tudo que puder ser feito deve sempre ser feito em prol da paz, porque isso tem um custo muito alto.

Roquenrou - Voltando um pouquinho, o que fez você escolher teclados como instrumento?

Sérgio Britto - Eu fui escolhendo aos poucos, porque eu também toco violão. Quando eu faço show solo eu toco mais violão até do que o teclado. Acho que era um instrumento que ninguém queria tocar na banda, e eu acabei pegando.

Roquenrou - Não teve algum cara que...

Sérgio Britto - O Paulo de vez em quando fazia um plim aqui e outro ali, mas nunca teve muita vontade de pegar pra valer o instrumento e eu acabei me fixando nele.

Roquenrou - Tem algum tecladista que você admire?

Sérgio Britto - Eu não gosto de tecladistas, exatamente. Eu gosto de compositores que tocam teclados. Por exemplo, o Brian Wilson, que é dos Beach Boys, ele toca piano - nesse show que ele tem feito, aí, do Pet Sounds, de novo.

Roquenrou - Ah, ele tá fazendo Pet Sounds, né?

Sérgio Britto - Ele fez, acho que já parou de fazer, acho que ele fez até o ano passado. ...Pet Sounds do jeito que era, e tudo, e ele tocava piano, e ele sempre foi um cara que compôs com piano, apesar de ser baixista também. É um cara que eu admiro muito, acho um gênio, e é um cara que toca teclado. Os próprios Beatles faziam coisas super simples e super legais. Eu gosto disso, de compositor. Eu não sou exatamente o cara que se liga muito no instrumentista. Eu acho legal essa adequação dessa parte instrumental com a composição.

Roquenrou - Você acha que Epitáfio é a melhor música que você já compôs?

Sérgio Britto - Não. Eu não acho. Acho que eu tenho outras músicas legais, também...

Roquenrou - Tem alguma que você tem um carinho especial?

Sérgio Britto - É, eu gosto muito de Diversão, que embora tenha sido assinada por mim e pelo Nando na verdade é só minha. é uma música que eu gosto bastante. Eu gosto de Palavras, gosto... Tem outras músicas que são parcerias que eu também... Miséria é uma parceria minha com o Arnaldo e o Paulo, mas eu acho muito legal. E várias, assim, que eu acho que estão no mesmo patamar, que dependendo do dia eu até gosto mais.

Roquenrou - Por que aconteceu essa coisa da Diversão ter sido creditada também ao Nando?

Sérgio Britto - Ah, isso aconteceu uma ou outra vez em vinte anos de carreira. Essa coisa de trabalhar em grupo, entendeu? Isso foi uma coisa que eu não deveria ter deixado passar mas rolou, e deve ter rolado com outras pessoas que eu, enfim, não saberia te contar os casos.

Roquenrou - Essa coisa dos créditos é bem comum...

Sérgio Britto - Na verdade era assim: A gente tava fazendo uma coisa um dia, uma levada, e tal, até tava o Marcelo, o Nando e o Tony. Só que era, enfim, uma levada em cima de um acorde. E eu fiz a letra e fiz a melodia toda sozinho e depois quando a gente chegou pra gravar o Liminha, a gente, no arranjo, mudou totalmente a levada. Daí eu cheguei pros caras e falei assim: "Pô, a gente mudou totalmente o que a gente fazia e só tá aproveitando o que eu fiz. Cês acham justo que a gente assine os três?". Aí o Tony e o Marcelo falaram: "Não, cara, a música é só tua, tá limpo.", e o Nando bateu o pé, falou: "Não, não! Eu faço questão", e tal, aí eu falei: "Bom, tá bom", e ficou assim. Mas eu acho que foi o único caso que isso aconteceu, pelo menos no que me diz respeito. O resto acho que é mais ou menos justo.

Roquenrou - Como vocês fazem pra montar repertório? Vocês se reúnem pra compor? Vocês sempre mostram todas as músicas pros companheiros ou alguém chega com uma idéia e começa o trabalho?

Sérgio Britto - Acho que a gente faz de tudo, entendeu? Eu, por exemplo, tenho várias músicas que eu faço, então dificilmente eu paro de compor. Eu sempre faço uma coisa, outra, então tem muitas músicas que eu nem mostro. Tem coisas que eu mostro que são só minhas e tem coisas que a gente faz junto. Pra esse disco, por exemplo, que a gente tá fazendo agora, tem uma música que a gente fez todo mundo junto. Quer dizer, modo de dizer, mas cada um colaborou com uma coisa, eu acabei fazendo a letra, o Charles deu uma sequência de acordes, a gente fez mais ou menos todo mundo junto. Tem outra música, por exemplo, que é só minha, que é só do Tony, tem várias duplas, um pega a letra de outro, vai lá e faz uma música, entendeu? A gente faz de várias maneiras, assim, e não importa como, o que interessa é o que fica melhor.

Roquenrou - Vocês têm previsão de lançamento?

Sérgio Britto - Eu acho que vai ser lá pra setembro, porque a gente vai gravar em junho, julho... agosto... deve ser setembro.

Roquenrou - As músicas todas vão ser inéditas?

Sérgio Britto - Vão.

Roquenrou - O que você acha do MP3, cara?

Sérgio Britto - Cara, eu não tenho muita intimidade, não, pra falar a verdade. Não costumo usar. Mas é uma coisa legal, né? Comprime o som, cê pode baixar, não é isso?

Roquenrou - É, com certeza. Mas a grande questão do MP3 na verdade é com relação ao direito autoral, né? O que se questiona é se com o MP3 a pessoa compra mais discos ou menos.

Sérgio Britto - É, eu não sei, vou te falar: eu sou meio leigo nessa história, mas o que eu lembro de ter lido nessas revistas americanas não foi isso exatamente que abalou o mercado do disco. Pelo menos no Brasil... eu acho que a pirataria de MP3 - se pode-se dizer assim, não sei - nos Estados Unidos é de 10%, né? E, por exemplo, cê vê no Brasil essa pirataria de disco mesmo, na rua, tá chegando a 60%. Parece que isso é um mal muito pior, mesmo. Porque, pensando assim, antigamente você sempre pôde copiar, sempre pôde fazer uma fita. E na época do cassete você não tinha o parâmetro do CD, então... hoje em dia você fala: "Ah, não! Mas você pode baixar com qualidade digital". Mais ou menos, porque também o som vem comprimido, é menos informação, né? Não é o que seria. E acho que é uma coisa que sempre existiu, então não sei se isso vai chegar a destruir. Óbvio que eu preferiria receber direito autoral, mas eu digo assim: se a coisa ficar só nesse nível eu acho que é aceitável. Agora quando chega a 60% eu acho que é grave. E aí também acho que destrói tudo, porque eu tenho lido por aí que tem países que nem mais têm produção musical por causa disso. Só têm discos de compilação pirateados e que são compilações de grandes sucessos...

Roquenrou - É o que tá um pouco acontecendo com a gente também, né?...

Sérgio Britto - É, pois é. Pode acabar acontecendo. Só não acontece porque eu acho que a música aqui é muito forte e o mercado é grande, apesar de tudo, né? Então eu acho que é uma coisa que alguém precisa abrir o olho, aí.

Roquenrou - Por que você acha que rola a pirataria assim tão forte?

Sérgio Britto - Porque é fácil de fazer, tecnologia barata, não custa nada. O preço de fabricação não custa nada, né? O suporte material é barato, o que custa é você gravar, pagar músico, pagar estúdio, pagar marketing, divulgação, enfim, todas essas coisas. E eu acho que é por causa disso. Ninguém tem grana, o pessoal compra, né? Apesar de ser um produto fuleiro, né? Com uma vida muito menor, muito mais curta...

Roquenrou - ...capinha xerocada, né?

Sérgio Britto - ...xerocado. O próprio disco, né? Com o tempo dá defeito, alguns já vêm com defeito.

Roquenrou - Você acha que poderia melhorar a situação se o preço do CD original fosse mais baixo?

Sérgio Britto - É, eu acho que sim, mas olha só: o preço do CD nunca vai ser o que é o pirata. O pirata é 3 reais, não tá pagando nada, mesmo. Então acho que o problema não é nem esse. Acho que ajudaria, mas o problema é mais... o de sempre no Brasil. Tem uma lei que não é cumprida, os caras não fiscalizam. O governo, por exemplo, ganha e retém na fonte o imposto de todos os discos, direito autoral, tudo que você ganha já vem descontado na fonte. É uma baita fonte de renda pra eles e eles não fiscalizam isso. Acho que era dever do governo liquidar com isso. Por polícia na rua pra desmantelar isso. Muitas pessoas até dizem que é uma coisa ligada ao tráfico de drogas, porque é um tipo de dinheiro que sai muito fácil, que não tem controle nenhum. É uma coisa complicada que eu acho que os caras deviam combater, não sei como. Mas acho que é uma coisa meio de polícia, mesmo.

Roquenrou - A gente tava falando sobre algum disco que você não tivesse gostado da gravação e coisa e tal, mas mudando o lado, qual foi o disco que você mais teve prazer de gravar?

Sérgio Britto - Prazer?

Roquenrou - É.

Sérgio Britto - Olha, acho que, de repente, Cabeça foi um disco bem prazeiroso de gravar...

Roquenrou - Isso pelo clima, pelas músicas?

Sérgio Britto - É, pelo clima, acho. Foi um clima assim, apesar do disco ser pesado - "pesado", entre aspas -, foi um clima leve, a gente tava num astral. Também foi fácil de gravar. Eu acho que esse último, apesar de tudo, esse A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, apesar da sombra da morte do Marcelo também foi um disco gostoso de gravar. A gente tava com gana, com vontade de tocar, e tal. Deixa eu pensar mais algum que tenha sido... Independente do disco, né? Só o barato de gravar, cê tá falando?

Roquenrou - É.

Sérgio Britto - Acho que esses dois foram os mais prazeirosos, assim, de gravar, mesmo.

O site oficial do Sérgio Britto é:
www.sergiobritto.com.br

e o dos Titãs é:
www.titas.net/

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