.principal

colunistas
Ronaldo Branco
Rodrigo EBA!
Arthur Tofani
Fagner Branco

especiais - matérias, votações e entrevistas. tudo o que o roquenrou prepara de especial... especiais
este espaço é seu! faça sua própria coluna, falando tudo o que você pensa sobre música coluna
do leitor


 

Entrevista
A doce MPB de Lobão

Numa entrevista por e-mail exclusiva para o Roquenrou, Lobão fala de seu disco A Vida é Doce, seus planos para o futuro, do Rock in Rio e ainda tira sarro do nome de nosso site.

Roquenrou - Você não quis participar do Rock in Rio ou não te chamaram porque que você não tem o rabo preso com as gravadoras?
Lobão - As duas coisas.

Roquenrou - O que você acha desse tipo de festivais como o Rock in Rio?
Lobão - Uma merda que invariavelmente nos humilha como artista e como povo. Ehh, ooo vida de gado, povo marcado, povo feliz...

Roquenrou - O que você achou do playback da Britney Spears?
Lobão - Não é necessário um playback pra verificar que toda aquela noite teen merecia evaporar-se e desaparecer pra terra do nunca.

Roquenrou - Qual a sua opinião sobre o ocorrido no show do Carlinhos Brown? Em 1991, no Rock In Rio 2, você passou por situação semelhante...
Lobão - Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Na minha opinião, todo o artista brasileiro no Rock In Rio é moralmente vaiado e/ou humilhado.

Roquenrou - Após o sucesso obtido com o disco "A Vida é Doce", você chegou a ser sondado por uma grande gravadora? Qual a sua opinião em voltar a gravar por uma grande gravadora?
Lobão - Isso não está nos meus planos no momento. A Universo Paralelo é uma realidade e os próximos projetos serão lançados por ela. Eu gostaria de salientar que o patamar atingido c/ A Vida é Doce e a Universo Paralelo são estágios muito mais sofisticados e evoluídos do que um mero contrato c/ uma multinacional. Portanto, neste momento, voltar para uma multinacional é um estúpido retrocesso.

Roquenrou - A idéia de numerar os discos e vendê-los em bancas de jornais já está influenciando outros artistas. Você acha que esse é o caminho para enfrentar o poder das grandes gravadoras e ao mesmo tempo combater a pirataria?
Lobão - É um deles. Haveremos de encontrar cada vez mais soluções mais enxutas e mais certeiras.

Roquenrou - Já que uma banda nova e sem gravadora não pode pagar o jabá das rádios, como fazer com que uma música independente se torne conhecida do público?
Lobão - Eu acredito muito no estímulo daqueles fãs de primeira hora. Acredito muito no boca-a-boca, no tocar em bares, na internet, nas rádios comunitárias... Enfim, na ralação do dia-a-dia que leva um bando de garotos a dividirem o mesmo sonho.

Roquenrou - Você participou no programa do Faustão, durante a divulgação do álbum "A Vida é Doce". Haveria algum problema em você participar de outros programas populares, como o do Sílvio Santos, por exemplo? Ou você veria nisso uma traição para os seus fãs?
Lobão - Eu só fiz o Faustão mediante várias exigências minhas. A principal delas era ser ao vivo. Eu considero qualquer programa de televisão potencialmente um campo de batalha. A única coisa que depende é você controlar a sua mensagem ou ser engolido pela mensagem deles.

Roquenrou - Como você encara a OMB (Ordem dos Músicos do Brasil) e qual a posição dela com sua venda de cds em bancas de jornal?
Lobão - A OMB tem que ser extinta! Ela não tem nada a ver c/ as bancas de jornal. É apenas um órgão vergonhoso e inútil que só faz humilhar a classe por simplesmente existir. Morte à OMB!!

Roquenrou - O que você acha da cena rock atual? Os roqueiros perderam a atitude, já que nenhuma banda te apoiou na luta contra as gravadoras?
Lobão - Isso não é verdade. Cada um apoia do jeito que pode. E eu sinto o maior carinho da rapaziada pelo meu gesto. Agora... com todo o respeito... não me venham falar de roque a essa altura do campeonato. Eu faço MPB, será que não deu p/ entender ainda? Será que não deu p/ entender ainda que fazer roque no Brasil é gozar com o pau do outros? Mesmo depois de outro Roque In Rio?

 

Tenho dois
projetos em vista,
um seria um disco
ao vivo e outro,
um inédito,
pois já estou
com um número
grande de novas
composições

  Eu considero
qualquer programa
de televisão potencialmente um
campo de batalha.
A única coisa que
depende é você
controlar a sua
mensagem ou ser
engolido pela
mensagem deles

Roquenrou - O processo de produção e distribuição do seu próximo disco será o mesmo, ou poderá haver alguma novidade? Você já tem repertório pronto e previsão de lançamento?
Lobão - Será o mesmo, é claro. Trata-se de um projeto vitorioso. Poderá ser acrescido de melhorias como um especial de televisão, um DVD ou coisa parecida. Por sinal, tenho 2 projetos em vista, um seria um disco ao vivo e outro, um inédito, pois já estou com um número grande de novas composições. Tudo isso, é claro, p/ sair no 1º e 2º semestre de 2001.

Roquenrou - Os artistas da sua geração nesses últimos anos gravaram discos acústicos ou ao vivo, que é sinônimo de venda no Brasil. Você acha que eles se venderam?
Lobão - Pergunte isso a eles, afinal de contas, eu não sou um exemplo típico de arroz de festa ou amigo do amigo, ou parceiro do parceiro disso aí que você chama de minha geração.

Roquenrou - Não chega a ser tentadora a idéia de lançar um álbum acústico, mesmo que de forma independente?
Lobão - Seria tentadora se eu tivesse alguma aspiração artística verdadeira em fazê-lo, pois o acústico em si não deveria ser tão repudiado, só o é porque a maioria dos artistas brasileiros o transformaram em ponte de safena, mas, no meu caso, não preciso ter preconceito algum com esse formato, mas por hora, não tenho nenhum plano a respeito.

Roquenrou - Até que ponto chega a manipulação da gravadora sobre a obra do artista? Eles tentam mudar o som, vestuário ou dicção de um artista?
Lobão - Depende muito do artista. Mas xeretagem sempre há e cada vez mais.

Roquenrou - Você se sente hoje em dia mais livre pra fazer o que quiser com sua música?
Lobão - Você tem alguma dúvida? Eh Eh

Roquenrou - Uma das queixas mais freqüentes dos artistas contratados pelas gravadoras é a de não possuírem a propriedade total de suas músicas, tendo que pedir permissão da gravadora para tocar suas próprias músicas ao vivo ou para regravá-las. A Universo Paralelo pretende mudar essa relação entre gravadora e artista ou há regras que não podem ser alteradas?
Lobão - Pretende desobedecer todas essas regras. Viva a propriedade intelectual!!

Roquenrou - Qual é a contribuição que o MP3 já deu para a música independente? A facilidade de distribuição das músicas sem o pagamento de direitos autorais também te preocupa?
Lobão - O que me preocupa é testemunhar a ECAD impotente em cobrar uma dívida de 180 milhões de dólares que as rádios oficiais e as televisões insistem em não pagar.
O que me preocupa é, como se não bastasse isso, os artistas ainda têm que submeter à humilhação de realizar shows tipo aqueles que vocês sabem quais são (festas de rádio...) que são shows gratuitos (jabá).
Ou a humilhação de ter que pagar, mesmo com as rádios te devendo os direitos autorais, para "existir" dentro dessa mídia.
MP3? Viva a MP3!

Roquenrou - É sabido que o álbum "Noite" é um dos seus preferidos, apesar de ser, conforme sua própria afirmação, um grande fracasso de vendas. Inclusive foi desse disco que rolou a maioria das músicas no seu último show em São Paulo, no Palace. Na sua opinião por que esse disco não estourou?
Lobão - Pergunte à Universal ao à Rádio 89.

Roquenrou - Você já compôs canções em parceria com outros grandes compositores de nossa música. Cazuza e Julio Barroso são um exemplo. Com quais deles você mais se identificava, e qual o processo de criação?
Lobão - Eu tinha muito amor pelo Julio como tinha muito amor pelo Cazuza e nesses dois casos específicos, o processo de criação consistia no desregramento total dos sentidos. Diversão, álcool, esbórnia, caos.

Roquenrou - A música "Mal Nenhum", por exemplo, é uma composição que tem muito a sua cara. Qual a participação do Cazuza nela?
Lobão - Ele simplesmente me deu a letra e eu simplesmente fiz a música. Tudo numa noite de esbórnia, evidentemente.

Roquenrou - Quem é o Eurico Miranda da música brasileira?
Lobão - Who the fuck is Eurico Miranda? Eu nunca ouvi falar nessa pessoa.

Roquenrou - Nosso site é feito principalmente de críticas. Critique ele para nós?!
Lobão - Olha, gente. Eu não sou um frequentador assíduo de site algum, muito menos do meu. Pra falar a verdade, eu nunca acessei nada na internet. Não tenho o menor interesse em frequentá-la. Pra dizer a verdade, nem sou eu que estou teclando esta mensagem. Não gosto de telas, antipatizo com sua luminescência esquálida, considero vagaroso, humilhante e primitivo todo o modus operandi que cerca a operação de um mero computador, portanto, não tenho embasamento nenhum para poder criticar o conteúdo do seu site. Contudo, o nome... bem, o nome... vocês bem que poderiam trocá-lo, não é verdade? Afinal de contas, vocês estão conversando com aquele que se intitula o grande traidor do roquenrou, aquele que disse que o roque errou, aquele que ao gritar, ao berrar, ao bradar, sempre diz: eu sempre fui, sou e serei um músico popular brasileiro e quem não conseguir perceber isto estará cometendo um crime genocida, falou?
A Vida é Doce.

lobão.