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Roquenrou
- O processo de produção e distribuição do seu próximo disco
será o mesmo, ou poderá haver alguma novidade? Você já tem
repertório pronto e previsão de lançamento?
Lobão - Será o mesmo, é claro. Trata-se de um projeto
vitorioso. Poderá ser acrescido de melhorias como um especial
de televisão, um DVD ou coisa parecida. Por sinal, tenho 2
projetos em vista, um seria um disco ao vivo e outro, um inédito,
pois já estou com um número grande de novas composições. Tudo
isso, é claro, p/ sair no 1º e 2º semestre de 2001.
Roquenrou
- Os artistas da sua geração nesses últimos anos gravaram
discos acústicos ou ao vivo, que é sinônimo de venda no Brasil.
Você acha que eles se venderam?
Lobão - Pergunte isso a eles, afinal de contas, eu
não sou um exemplo típico de arroz de festa ou amigo do amigo,
ou parceiro do parceiro disso aí que você chama de minha geração.
Roquenrou
- Não chega a ser tentadora a idéia de lançar um álbum acústico,
mesmo que de forma independente?
Lobão - Seria tentadora se eu tivesse alguma aspiração
artística verdadeira em fazê-lo, pois o acústico em si não
deveria ser tão repudiado, só o é porque a maioria dos artistas
brasileiros o transformaram em ponte de safena, mas, no meu
caso, não preciso ter preconceito algum com esse formato,
mas por hora, não tenho nenhum plano a respeito.
Roquenrou
- Até que ponto chega a manipulação da gravadora sobre a obra
do artista? Eles tentam mudar o som, vestuário ou dicção de
um artista?
Lobão - Depende muito do artista. Mas xeretagem sempre
há e cada vez mais.
Roquenrou
- Você se sente hoje em dia mais livre pra fazer o que quiser
com sua música?
Lobão - Você tem alguma dúvida? Eh Eh
Roquenrou
- Uma das queixas mais freqüentes dos artistas contratados
pelas gravadoras é a de não possuírem a propriedade total
de suas músicas, tendo que pedir permissão da gravadora para
tocar suas próprias músicas ao vivo ou para regravá-las. A
Universo Paralelo pretende mudar essa relação entre gravadora
e artista ou há regras que não podem ser alteradas?
Lobão - Pretende desobedecer todas essas regras. Viva
a propriedade intelectual!!
Roquenrou
- Qual é a contribuição que o MP3 já deu para a música independente?
A facilidade de distribuição das músicas sem o pagamento de
direitos autorais também te preocupa?
Lobão - O que me preocupa é testemunhar a ECAD impotente
em cobrar uma dívida de 180 milhões de dólares que as rádios
oficiais e as televisões insistem em não pagar.
O que me preocupa é, como se não bastasse isso, os artistas
ainda têm que submeter à humilhação de realizar shows tipo
aqueles que vocês sabem quais são (festas de rádio...) que
são shows gratuitos (jabá).
Ou a humilhação de ter que pagar, mesmo com as rádios te devendo
os direitos autorais, para "existir" dentro dessa mídia.
MP3? Viva a MP3!
Roquenrou
- É sabido que o álbum "Noite" é um dos seus preferidos, apesar
de ser, conforme sua própria afirmação, um grande fracasso
de vendas. Inclusive foi desse disco que rolou a maioria das
músicas no seu último show em São Paulo, no Palace. Na sua
opinião por que esse disco não estourou?
Lobão - Pergunte à Universal ao à Rádio 89.
Roquenrou
- Você já compôs canções em parceria com outros grandes compositores
de nossa música. Cazuza e Julio Barroso são um exemplo. Com
quais deles você mais se identificava, e qual o processo de
criação?
Lobão - Eu tinha muito amor pelo Julio como tinha muito
amor pelo Cazuza e nesses dois casos específicos, o processo
de criação consistia no desregramento total dos sentidos.
Diversão, álcool, esbórnia, caos.
Roquenrou
- A música "Mal Nenhum", por exemplo, é uma composição que
tem muito a sua cara. Qual a participação do Cazuza nela?
Lobão - Ele simplesmente me deu a letra e eu simplesmente
fiz a música. Tudo numa noite de esbórnia, evidentemente.
Roquenrou
- Quem é o Eurico Miranda da música brasileira?
Lobão - Who the fuck is Eurico Miranda? Eu nunca ouvi
falar nessa pessoa.
Roquenrou
- Nosso site é feito principalmente de críticas. Critique
ele para nós?!
Lobão - Olha, gente. Eu não sou um frequentador assíduo
de site algum, muito menos do meu. Pra falar a verdade, eu
nunca acessei nada na internet. Não tenho o menor interesse
em frequentá-la. Pra dizer a verdade, nem sou eu que estou
teclando esta mensagem. Não gosto de telas, antipatizo com
sua luminescência esquálida, considero vagaroso, humilhante
e primitivo todo o modus operandi que cerca a operação de
um mero computador, portanto, não tenho embasamento nenhum
para poder criticar o conteúdo do seu site. Contudo, o nome...
bem, o nome... vocês bem que poderiam trocá-lo, não é verdade?
Afinal de contas, vocês estão conversando com aquele que se
intitula o grande traidor do roquenrou, aquele que disse que
o roque errou, aquele que ao gritar, ao berrar, ao bradar,
sempre diz: eu sempre fui, sou e serei um músico popular brasileiro
e quem não conseguir perceber isto estará cometendo um crime
genocida, falou?
A Vida é Doce.
lobão.
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