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Entrevista
André Abujamra está adorando Tóquio!
O
mentor espiritual do Karnak falou com o Roquenrou sobre seu
excelente disco "Estamos Adorando Tokio", seu passado
no Mulheres Negras, críticos de música, Funk
Carioca e Sandy & Junior.
PRESENTE
Roquenrou
- Quais suas expectativas em relação ao novo
CD? As Rádios e os demais meios de comunicação
são vitais para o sucesso do álbum?
Abujamra
- As Rádios não são vitais para o
sucesso do CD. Nunca tocamos na rádio e já temos
um sucesso interno bem grande. A Internet tem ajudado muito
o Karnak a ficar maior.
Roquenrou
- Quais são as formas de divulgação que
vocês estão trabalhando?
Abujamra - Internet, muito Show, boca a boca
Roquenrou
- Embora anunciado o lançamento do disco para agosto
de 2000, ele só chegou a ser lançado no início
de 2001. Por que aconteceu o atraso?
Abujamra
- Fazer um CD no Brasil com a qualidade dos CDs do Karnak
não é fácil, essas coisas atrasam mesmo.
Roquenrou
- O fato do disco ter sido lançado depois do Natal
atrapalhou as vendas? Ou foi bom justamente por pegar a indústria
musical no contrapé?
Abujamra
- Nunca pensamos nesse tipo de marketing. O Karnak faz
sucesso fora do Brasil, então esse gancho não
tem muito a ver com nosso trabalho.
Roquenrou - Estamos Adorando Tokio dá seqüência
à tradição karnakiana de caprichar nos
arranjos. Como eles são geralmente feitos? Todo mundo
da banda dá palpite, ou os arranjos são preparados
e entregues para a banda executar?
Abujamra
- No começo eu vinha com tudo mastigado. Hoje,
depois de 9 anos, a banda já tem o espírito
karnakiano nas veias, então os arranjos são
feitos por todos da banda.
Roquenrou - Vocês declararam que este disco dá
prioridade ao aspecto lírico do Karnak. Por quê
essa escolha? É pra evitar a imagem de uma banda "engraçada"?
Abujamra
- Não, o Karnak nunca vai deixar de ser engraçado,
porém temos coisas bonitas pra dizer, então
nesse trabalho a gente colocou o lado mais poético
da banda em voga.
Roquenrou
- A música Mediócritas diz: "A gente faz
letra infantil / Vai pra puta que o pariu". As críticas
negativas realmente te incomodam? O que você já
ouviu de absurdo?
Abujamra
- O Artista que fala que não liga pra crítica
está mentindo. Eu fiz essa música para um cara
chamado JB Medeiros que criticou o CD Universo Umbigo falando
que a gente era uma Banda NATIMORTA. Com certeza esse cara
não ouviu o CD, não ouviu e não gostou.
Eu não gosto desse pessoal metido a besta. Crítico
bom fala coisas para o crescimento e não para a destruição.
Gosto do Carlos Calado, da Folha, que já me criticou
e me ajudou em sua crítica.
Roquenrou
- O processo de distribuição do novo álbum
é o mesmo do último do Lobão: vendas
em bancas de jornais. Esta foi a solução encontrada
para enfrentar o descaso das gravadoras em relação
a trabalhos de artistas que não têm compromisso
com a mídia?
Abujamra
- Esta foi a solução encontrada pelo Karnak.
Somos uma banda muito difícil de rotular. Estamos felizes
com a NET RECORDS, principalmente porque os CDs são
numerados. Isso pra gente é maravilhoso!
Roquenrou - Se esse lance de vender CD em banca pegar,
você já imaginou o que será das bancas
de revista em um futuro próximo?
Abujamra
- A guerra ainda é muiiiiiiiittttoooo grande!!!!!
Roquenrou - E o MP3? Ajuda a divulgação ou
atrapalha a venda?
Abujamra
- O MP3 ajuda muito. O cara sempre vai querer a capa do
CD com as informações. O MP3 ajuda muito a divulgação
de todos, até dos grandes.
PASSADO
Roquenrou
- Comparando dois períodos de sua vida, qual a diferença
entre o compositor André Abujamra da época dos
Mulheres Negras e agora, no Karnak? Você considera que
há diferenças ou que houve uma evolução?
Abujamra
- Nos Mulheres Negras eu era mais Maestro, no Karnak sou
mais Poeta. Tem muita diferença, porém quem
viu os Mulheres e o Karnak consegue ver um pouco de Mulheres
Negras ali.
Roquenrou
- Premê, Língua de Trapo e Joelho de Porco ajudaram
como inspiração para a formação
dos Mulheres Negras e posteriormente o Karnak? Você
curtia essas bandas?
Abujamra
- Eu amo o Premê e nunca gostei muito do Língua
de Trapo, mesmo porque o Lisoel, um ex-guitarrista do Língua
de trapo, me deve uma grana faz um puta tempo. O humor do
Karnak não tem nada a ver com o do Língua, o
humor do Premê tem a ver com o Karnak.
Roquenrou
- A julgar pelas participações de Mauricio Pereira
nos discos do Karnak, vocês ainda hoje são amigos.
Por que o Mulheres Negras acabou? (Se bem que segundo o novo
CD, Ruído Rosa, do Pato Fu, Os Mulheres Negras ainda
existe...)
Abujamra
- Eu e o Mauricio somos Soul Brothers. Nossa amizade e
amor nem uma bomba atômica destroi. Os Mulheres acabou
porque eu queria fazer música de cinema e teatro, o
Mauricio estava casando e ia ter o seu primeiro filho, foi
natural a separação. Quando as pessoas começaram
a conhecer OS Mulheres a gente já tinha 5 anos de banda.
Roquenrou
- Vocês chegaram a cogitar a entrada de Mauricio Pereira
no Karnak?
Abujamra
- Nunca cogitamos isso
Roquenrou
- No disco "Música Serve Pra Isso", dos Mulheres
Negras, há uma música que se chama "Imbarueri"...
Apesar de ser uma palavra indígena, há também
semelhanças entre essa letra e a cidade de Barueri,
na grande São Paulo: linha de trem, circo marrom...
A música tem alguma coisa a ver com a cidade?
Abujamra - Imbarueri
é uma música Lúdica e linda e a Poesia
do seu Pereira. Pergunta pra ele que ele vai te responder
melhor.
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"A
única coisa real
no mundo é o amor,
e a música ajuda
a passar amor
pras pessoas.
Não levem
a música
muito a sério".
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