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Radiohead

Kid A

2000

Críticas não faltaram para um álbum tão esperado quanto "Kid A", da mega banda Radiohead. Assim que ganhei esse cd coloquei no meu cd player e fiquei chocado. Tenho que falar do álbum todo.

A primeira faixa, Everything in its right place, trás um Radiohead mais desesperado do que nunca. Thom Yorke repete várias vezes a frase "Hoje eu acordei chupando um limão" em um tom sinistro e amargurado, refletindo sobre a banalidade de ser um popstar, com uma visível postura contra a indústria cultural.

Kid A, 2ª faixa, mostra as influências trazidas da música eletrônica, lembrando Aphex Twins em certas horas. Com um vocal impossível de ser traduzido (parecendo até um trombone), a música cria um clima hipnótico de total sintetização musical, sendo assim mais uma critica à nossa sociedade digital.

The National Anthem surpreende a todos pela facilidade e simplicidade em que eles casam o rock com o jazz. Com muita microfonia de guitarra, juntamente com a orquestra de sopro de St. Johns, regida pelo maestro John Lubbock e escrita pelo guitarrista da banda, Jonny Greenwood, a banda mostra que tem know-hall para fazer qualquer coisa com música.

A 4ª faixa How to disappear completely, traz um clima romântico para aqueles que ouvirem esse disco junto com a namorada(o). Já para aqueles que estiverem sofrendo, melhor não ouvirem esta faixa, pois é simplesmente deprimente. Ótima composição com destaque para os arranjos de teclado.

Treefingers, música instrumental só com sintetizadores, te coloca literalmente em bolha plasmática.

A 6ª faixa, Optimistic, traz lembranças daquele velho Radiohead onde finalmente as guitarras reaparecem. Belíssima canção.

A 7ª faixa, In Limbo, é a música mais esquisita do álbum. Até agora não sei o que dizer sobre ela.

Idioteque, com certeza, é a música mais comercial do álbum. Música muito tocada nas discotecas pelo mundo todo e não é por isso que a música deixa de ter o seu valor. Afinal, é a melhor linha vocal do disco todo. Toda em falsetes, ótima produção eletrônica e com aquela emoção que só Thom Yorke sabe passar.

Morning Bell traz um loop humano que faz com que a música siga uma dinâmica eletrônica com poucas variações, mas muita intensidade.

E por fim, Motion Pictures Soundtrack, se foi feita para ser trilha sonora de algum filme hollywoodiano, com certeza essa estória vai acabar mal. Clima mais do que hipnótico, quase um mantra.

Esse álbum mostra um amadurecimento da banda, e não foi feito para estar no topo das paradas. Exprime realmente o que está acontecendo, não só com a música, como também com a sociedade digital neste começo de milênio. Se você tem entre 14 e 20 anos, este é o álbum que define sua geração. Simplesmente genial.

18*12*2002

Paulo Roberto
Editor do fanzine Stereo Rock Club

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