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 | BjörkSelma Songs - trilha sonora de Dancer in the Dark2001 |
"Dançando no Escuro", o filme que traz a Björk como protagonista, é um filme Europeu, ponto final. Ritmo lento, tomadas esquisitas - com câmera-aqui-agora e cortes nada a ver - e história trágica, densa e cheia de sentidos ocultos. Tem gente que adora e gente que odeia esse tipo de cinema. Em princípio eu não acho nem ruim nem bom, depende do filme. Mas o que faz "Dançando no Escuro" realmente uma obra-prima é sua trilha-sonora, que tem papel fundamental na "moral da história" em questão.Numa atuação surpreendente, Björk é Selma, uma funcionária de uma fábrica que se mata dia e noite pra descolar dinheiro e pagar uma operação pro filho. Ele tem a mesma doença que vai deixá-la completamente cega, e Selma corre contra o tempo pra juntar a quantia necessária antes de perder sua visão. Em resumo, ela tem uma vida desgraçada. E é aí que entra a música. Selma é apaixonada por musicais e sempre arranja um tempo pra seus ensaios de teatro. E essa sua obsessão acaba se tornando o elemento principal do filme: sempre que ela está no fundo do poço, digo, no fuuuuuuundo do pooooço, basta ela se imaginar num musical. Aí tudo muda: na cabeça dela, os mortos se levantam, multidões que a perseguem ajudam na coreografia e tudo fica bem. Até a câmera-aqui-agora nessas horas esquece a tremedeira e delimita um oásis no meio de tanto drama. A música é a única coisa que a conforta!! É o primeiro musical em que a música realmente aparece como um elemento significativo, e não apenas como uma pausa na história. Aí entra o talento musical de Björk, que elaborou uma trilha sonora fantástica! A primeira sacada: a imaginação de Selma sempre cria as músicas a partir de ruídos do ambiente ritmados, como as máquinas da fábrica onde trabalha, o passar do trem sobre os trilhos e os estalos de um disco de vinil. E é daí que surgem as músicas do álbum, com manipulações sonoras dando base para o desenvolvimento do tema. Outra coisa é a capacidade que Björk desenvolveu neste álbum de transformar-se numa cantora de MÚSICA, sem fronteiras de estilos e instrumentos e conseqüentemente, sem limites. Todas as canções apresentam uma integração perfeita entre loopings de ruídos, música eletrônica e orquestrações, tão bem costurados que fica impossível não se envolver com os milhões de climas criados. Mesmo "I’ve Seen it All" - dueto com Tom Yorke -, que inicialmente pode parecer monótona pela melodia repetitiva, ganha enorme força quando se presta atenção no arranjo e nas diversas cores criadas através da combinação dos instrumentos e timbres. É um trabalho milimétrico, em que cada nota e instrumento são pensados um a um para dar o efeito desejado. Por isso é o tipo de disco que ninguém realmente inteligente e sensível diria que é uma bosta, pois as idéias aparecem ininterruptamente e se sucedem até que se perca o fôlego. Todo mundo tem o direito de não gostar (gosto não se discute, claro), mas ninguém tem o direito de desmerecê-lo. O trabalho é tão bem feito que merece reconhecimento, assim como não precisamos gostar de Tom Jobim mas temos que reconhecer sua importância pra música brasileira. São apenas 7 músicas, mas que valem pela quantidade de idéias e pela forma como são apresentadas. Destaque para "In the Musicals", que tem uma riqueza rítmica contagiante, e "New World", certamente uma das canções mais lindas que conheci! É aquela história: não precisa gostar, mas não deixe de conhecer e ouvir atentamente. Sua forma de ver a música pode mudar drasticamente! 2*7*2001 Rodrigo EBA! Rodrigo EBA! gosta de suco de limão sem açúcar.
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